sexta-feira, 20 de julho de 2012
Impactos da “Guerra do Paraguai” na Província do Ceará (1865-1870)
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
MESTRADO EM HISTÓRIA SOCIAL
CENTRO DE HUMANIDADES
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
Maria Regina Santos de Souza
Impactos da “Guerra do Paraguai” na Província do Ceará
(1865-1870).
Fortaleza/ 2007.
Dissertação apresentada como
requisito para obtenção do título de
Mestre, sob a orientação da Profª
Drª Ivone Cordeiro Barbosa.
BANCA EXAMINADORA
Profª Drª Ivone Cordeiro Barbosa/ UFC (Orientadora)
Prof° Dr° Marcos Antônio Silva/USP
Profª Drª Ana Amélia de Mello/UFC
Resumo
Esta dissertação tem por objetivo analisar os impactos da “Guerra do Paraguai” no
Ceará no âmbito social, levando em consideração suas interferências na estrutura
de poder, nas relações sociais e na vida cotidiana da província.
Para apresentação das reflexões e do eixo temático proposto, o trabalho foi
dividido em três capítulos. No primeiro capítulo, discuto baseada na historiografia
e nos jornais da época, como a imprensa cearense criou sentidos tanto para a
mobilização, no início da guerra, como para a desmobilização de contingentes
depois dos primeiros anos do conflito. No segundo, interpreto como os sentidos
mobilizadores foram disseminados no tecido social, propiciando que setores
populares da província se dispusessem a partir para a guerra sob o argumento da
salvação da Pátria, como também por vislumbrar a possibilidade de obter
vantagens, prestígio social e conquistar a liberdade. Fundamentada em evidências
encontradas nas correspondências entre a Presidência do Ceará, Secretaria de
Polícia e o Governo Central, mostro como o amor à pátria foi se configurando
através de distintas práticas orientadas por diversos atores sociais. Por último, no
terceiro capítulo, busco perceber como o alistamento militar para guerra
desestruturou o mundo do trabalho, ao mesmo tempo em que desorganizou o
ambiente familiar. Para tanto, investiguei várias petições enviadas em nome dos
parentes dos soldados, destacando-se mães, viúvas, filhas e irmãs, às
autoridades imperiais.
(disponível em:http://www.historia.ufc.br/admin/upload/DISSERTA%C3%87%C3%83O%20COMPLETAMARIAREGINA1976.pdf. - Acesso em 20072012)
A PARTICIPAÇÃO DO CEARÁ NA CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR
Texto: Jairo Alves (UVA)
Copiado do blog: oguardamunicipaldoipu.blogspot.com.br, acesso em 20/07/2012.
A Confederação do Equador foi um movimento separatista em que alguns Estados do Nordeste se juntaram em torno de Pernambuco para criar um pais independente e livre do restante do Brasil, ou seja, uma Republica confederada com outros Estados Nordestinos independente do Império Brasileiro. O conflito possuía raízes em movimentos anteriores na como a Revolução Pernambucana de 1817, que tinha caráter republicano.
Dois lideres insatisfeitos com a implantação da constituição de 1824, a primeira constituição do Brasil, que foi obra de D. Pedro I, que alguns dias antes havia fechado a assembléia constituinte, essa medida do imperador causou indignação em varias províncias do Império. No Nordeste Cipriano Barata e Frei Caneca denunciavam o golpe dado pelo império, denunciando que a nova Constituição era “anti-liberal” e denunciando o despotismo do Imperador.
Frei Caneca criticava o Poder Moderador (exercido por D. Pedro I, este poder lhe concedia todo poder para interferir no Executivo, Legislativo e Judiciário) e era contra a “intromissão do imperador nas questões políticas das províncias”. Com a Independência alguns Estados achavam que o novo governo, representado pelo império, teria caráter federativo, onde as províncias teriam autonomia para resolver seus conflitos internos sem a intervenção da capital do império.
Com a frustração diante das medidas do imperador Paes de Andrade proclamou a Confederação do Equador, que tinha como inspiração a republica norte-americana, a insurreição teve participação popular às chamadas “brigadas populares”; mulatos, pretos libertos e militares de baixa patente, no entanto, a elite que promoveu o movimento não trouxe soluções concretas para os problemas da população carente.
O radicalismo instaurado pelas camadas populares junto à proibição do trafego de escravos, foi responsável pela perda do apóio dos latifundiários, que era essencial para o movimento.
A participação do Ceará na Confederação do Equador devesse a dois aspectos; primeira a subordinação da capitania do Ceará a capitania de Pernambuco que durou de 1656 á 1799, e outro aspecto foi a influência da família Alencar na região do Cariri.
Com a outorgasão da Constituição de 1824 e a dissolução da Assembléia Constituinte, várias províncias do Nordeste ficaram insatisfeitas com essa medida autoritária do Império, sendo Pernambuco a principal delas, logo algumas vilas do Ceará também se mostraram insatisfeitas como Quixeramobim, onde é declarada a Republica com José Pereira Filgueiras no comando das Armas. Outras províncias também se mostraram contra a nova constituinte como Crato, Aracati e Icó.
Uma junta presidida pelo Padre Francisco Pinheiro Landim, que estava no comando da província, mostrou sua insatisfação com as medidas de D. Pedro I através de um oficio dirigido a ele, onde a junta repudia suas ações.
Com a nomeação de Costa Barros para presidente da província do Ceará, a junta provisória é deposta, e se inicia a luta da elite local para retomar o poder.
Assim, com a deposição do Governo Provisório os Filgueiras procuram arregimentar forças para conspirar a queda de Costa Barros. Este faz pronunciamentos que deixam a população descontente, sem apóio popular e com a pressão por parte dos Tristãos e Filgueiras, Costa Barros demitiu-se da presidência da província.
Com a saída do poder de Costa Barros, a oposição organiza um governo rebelde chefiado por Tristão Gonçalves de Alencar Araripe e José Pereira Filgueira que reinicia as relações com Pernambuco. A província de Pernambuco era o foco irradiador da confederação, era ela que fornecia armas, oficiais estrategistas para o Ceará, além de uma tipográfica responsável pela impressão do primeiro jornal do Ceará.
A Republica no Ceará se consolida em 26 de agosto, em um Grande Conselho formado por 405 eleitores mais influentes da província.
No entanto a repressão imperial se fez em 12 de Setembro quando o brigadeiro Luis Alves de Lima e Silva subjugou os rebeldes e restabeleceu o comando da província de Pernambuco ao poder imperial. Os lideres rebeldes fugiram ou foram capturados e condenados a morte.
Alguns lideres da revolução quando da chegada das tropas imperiais se renderam e outros traíram os ideais revolucionários ajudando a derrubar a republica que eles próprios ajudaram a criar, como José Félix de Azevedo e Sá e Luis Rodrigues Chaves.
Concluímos que o movimento revolucionário no nordeste foi um movimento de classe, onde os “elementos dominantes” usaram a população para defender seus interesses e não o interesse do povo, inexistindo projetos de mobilização social.
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