sexta-feira, 20 de julho de 2012
A PARTICIPAÇÃO DO CEARÁ NA CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR
Texto: Jairo Alves (UVA)
Copiado do blog: oguardamunicipaldoipu.blogspot.com.br, acesso em 20/07/2012.
A Confederação do Equador foi um movimento separatista em que alguns Estados do Nordeste se juntaram em torno de Pernambuco para criar um pais independente e livre do restante do Brasil, ou seja, uma Republica confederada com outros Estados Nordestinos independente do Império Brasileiro. O conflito possuía raízes em movimentos anteriores na como a Revolução Pernambucana de 1817, que tinha caráter republicano.
Dois lideres insatisfeitos com a implantação da constituição de 1824, a primeira constituição do Brasil, que foi obra de D. Pedro I, que alguns dias antes havia fechado a assembléia constituinte, essa medida do imperador causou indignação em varias províncias do Império. No Nordeste Cipriano Barata e Frei Caneca denunciavam o golpe dado pelo império, denunciando que a nova Constituição era “anti-liberal” e denunciando o despotismo do Imperador.
Frei Caneca criticava o Poder Moderador (exercido por D. Pedro I, este poder lhe concedia todo poder para interferir no Executivo, Legislativo e Judiciário) e era contra a “intromissão do imperador nas questões políticas das províncias”. Com a Independência alguns Estados achavam que o novo governo, representado pelo império, teria caráter federativo, onde as províncias teriam autonomia para resolver seus conflitos internos sem a intervenção da capital do império.
Com a frustração diante das medidas do imperador Paes de Andrade proclamou a Confederação do Equador, que tinha como inspiração a republica norte-americana, a insurreição teve participação popular às chamadas “brigadas populares”; mulatos, pretos libertos e militares de baixa patente, no entanto, a elite que promoveu o movimento não trouxe soluções concretas para os problemas da população carente.
O radicalismo instaurado pelas camadas populares junto à proibição do trafego de escravos, foi responsável pela perda do apóio dos latifundiários, que era essencial para o movimento.
A participação do Ceará na Confederação do Equador devesse a dois aspectos; primeira a subordinação da capitania do Ceará a capitania de Pernambuco que durou de 1656 á 1799, e outro aspecto foi a influência da família Alencar na região do Cariri.
Com a outorgasão da Constituição de 1824 e a dissolução da Assembléia Constituinte, várias províncias do Nordeste ficaram insatisfeitas com essa medida autoritária do Império, sendo Pernambuco a principal delas, logo algumas vilas do Ceará também se mostraram insatisfeitas como Quixeramobim, onde é declarada a Republica com José Pereira Filgueiras no comando das Armas. Outras províncias também se mostraram contra a nova constituinte como Crato, Aracati e Icó.
Uma junta presidida pelo Padre Francisco Pinheiro Landim, que estava no comando da província, mostrou sua insatisfação com as medidas de D. Pedro I através de um oficio dirigido a ele, onde a junta repudia suas ações.
Com a nomeação de Costa Barros para presidente da província do Ceará, a junta provisória é deposta, e se inicia a luta da elite local para retomar o poder.
Assim, com a deposição do Governo Provisório os Filgueiras procuram arregimentar forças para conspirar a queda de Costa Barros. Este faz pronunciamentos que deixam a população descontente, sem apóio popular e com a pressão por parte dos Tristãos e Filgueiras, Costa Barros demitiu-se da presidência da província.
Com a saída do poder de Costa Barros, a oposição organiza um governo rebelde chefiado por Tristão Gonçalves de Alencar Araripe e José Pereira Filgueira que reinicia as relações com Pernambuco. A província de Pernambuco era o foco irradiador da confederação, era ela que fornecia armas, oficiais estrategistas para o Ceará, além de uma tipográfica responsável pela impressão do primeiro jornal do Ceará.
A Republica no Ceará se consolida em 26 de agosto, em um Grande Conselho formado por 405 eleitores mais influentes da província.
No entanto a repressão imperial se fez em 12 de Setembro quando o brigadeiro Luis Alves de Lima e Silva subjugou os rebeldes e restabeleceu o comando da província de Pernambuco ao poder imperial. Os lideres rebeldes fugiram ou foram capturados e condenados a morte.
Alguns lideres da revolução quando da chegada das tropas imperiais se renderam e outros traíram os ideais revolucionários ajudando a derrubar a republica que eles próprios ajudaram a criar, como José Félix de Azevedo e Sá e Luis Rodrigues Chaves.
Concluímos que o movimento revolucionário no nordeste foi um movimento de classe, onde os “elementos dominantes” usaram a população para defender seus interesses e não o interesse do povo, inexistindo projetos de mobilização social.
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